Cerveja de cannabis com efeitos psicoativos do THC já é realidade
 
 

May 13, 2018

Duas notícias recentes de produção de cerveja com maconha na América do Norte sinalizam para um caminho sem volta em que a erva terá uma participação cada vez maior em bebidas. Pesquisas em estados americanos onde a maconha é legal para consumo apontam para a substituição do gasto recreativo em cerveja pela erva. Por isso, o setor de bebidas alcoólicas está de olho no promissor e rentável mercado de cannabis legalizada.

Cerveja com infusão de cannabis não é exatamente uma novidade. Várias empresas, principalmente nos Estados Unidos, já oferecem essa bebida sem o composto psicoativo THC (TetraHidroCanabinol). A infusão de maconha, nesses casos, confere aroma e sabor da erva à cerveja, além de garantir um bom apelo de marketing, manchetes de jornais e mídia espontânea. Pela primeira vez, no entanto, há notícias de produção de cerveja com os efeitos entorpecentes da cannabis.

Uma delas é o empreendimento do cervejeiro americano Keith Villa, que após se desligar da Blue Moon Brewing, de Denver (CO), onde trabalhou por 32 anos, se propôs a criar três cervejas à base de maconha. Uma mais leve, uma de trigo e outra mais forte e intensa, possivelmente uma Imperial Stout envelhecida em barril. Todas sem álcool, mas que prometem entregar um efeito “inebriante sem dor de cabeça”.

Segundo publicado pelo USA Today, os desenvolvedores dizem que a bebida vai afetar o usuário na mesma velocidade que uma cerveja convencional com álcool. Essa característica é um diferencial em relação aos alimentos e refrescos com infusão de maconha produzidos até então, que, em média, demoram a partir de uma hora para começar a fazer efeito após a ingestão.

“Trata-se de fabricar grandes cervejas que os bebedores de cerveja adoram e fazer com que o consumidor troque uma cerveja alcoólica por uma de nossas cervejas de maconha”, declarou Villa.

Os refrescos com THC já comercializados demoram, em média, uma hora para produzirem efeitos psicoativos após a ingestão | Trevor Hughes/USA Today

A experiência canadense

Outra novidade sobre cerveja de maconha diz respeito à iniciativa de uma startup do Canadá que se associou à uma universidade para produzir a primeira cannabis beer com apoio financeiro do governo.

Com sede em Toronto, a Province Brands of Canada recebeu cerca de 233 mil dólares do governo de Ontario para criar em parceria com estudantes da Loyalist College uma bebida “altamente inebriante”, mas que seja “mais segura” que o álcool.

Segundo reportagem da Global News, o executivo-chefe da Province Brands, Dooma Wendschuh, disse que antes de começar a fazer a cerveja consultou vários especialistas em fabricação de artesanais pedindo conselhos. “Basicamente, todos riram de nós e disseram que não poderia ser feito”, lembra Wendschuh. Tradicionalmente, são os óleos essenciais da cannabis que são adicionados a uma bebida.

Wendschuh insistiu no projeto e diz querer ir além. A ideia é excluir a cevada da equação e substituí-la pela planta de cannabis. Mas como este processo é complexo, a parceria com o Centro de Pesquisas Aplicadas da Loyalist College para Produtos Naturais e Cannabis Medicinal se fez mandatória. “Estamos entusiasmados com essa colaboração, os alunos terão a oportunidade de criar uma nova indústria de extração”, afirma Wendschuh.

A previsão é que a cannabis beer esteja pronta para ser vendida legalmente no Canadá em 2019, quando o uso recreativo da erva já deverá estar legalizado no país. Os desenvolvedores acreditam que bebidas à base de maconha vão se tornar a forma mais popular de consumir a planta psicoativa. Segundo Wendschuh, a proporção de fumantes continua a cair porque fumar a erva traz alguns dos mesmos efeitos tóxicos e malefícios do cigarro.

Essas implicações levaram consumidores mais preocupados com a saúde a buscar alternativas do consumo da cannabis, como inalar por vaporizadores ou ingerir alimentos com a erva. A diferença, para Wendschuh, é que essas atividades não são tão sociáveis. “Ninguém se encontra depois do trabalhado para dividir um prato de balas de maconha. Nossa ideia é adaptar nosso produto a comportamentos sociais existentes, como beber e conversar”, conclui.